sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

parada 3 - viaduto de santa tereza














percurso: google maps



história | presente

com projeto do engenheiro emílio baumgart, a construção recebeu o nome de viaduto artur bernardes.

projeto viaduto de santa tereza

teve a pedra fundamental lançada em 05 de agosto de 1926 e foi custeado pela prefeitura municipal e pela central do brasil. 


construção dos arcos do viaduto de santa tereza - 1928


fonte: arquivo público da cidade de belo horizonte


inaugurado em setembro de 1929, faz a ligação do centro comercial da cidade à região leste, incluindo bairros tradicionais como floresta e santa tereza, passando sobre o ribeirão arrudas e os trilhos da central do brasil.



fonte: arquivo público da cidade de belo horizonte


com 390 metros de extensão e 13 metros de largura, tem função relevante no sistema viário da capital. local onde passava a linha do extinto bonde elétrico de belo horizonte apelidado de "pão de forma" por ser fechado com um vagão de trem ferroviário.


1929


viaduto de santa tereza – anos 1930
fonte: http://www.pu3yka.com.br/homepage/brasil/minasgerais/belohorizonte/
belohorizonte2/belohorizonte-02.htm

  
viaduto de santa tereza emenda com av. tocantins  (hoje assis chateaubriand) – década de 1950
fonte: ouviaduto.tmblr.com/


postal do viaduto de santa tereza - 1958

postal do viaduto de santa tereza visto da rua sapucaí - 1970
fonte: ouviaduto.tmblr.com/




 em 1983, já em estado de deterioração, teve o veto do tráfego de trânsito pesado. foi tombado em 1988 pelo instituto estadual do patrimônio histórico e artístico de minas gerais – iepha-mg e tornou-se parte integrante do conjunto arquitetônico da praça rui barbosa.

foto: br olhares


em 1995, em um estado de conservação bastante precário, a denúncia de um símbolo maltratado da cidade.

jornal estado de minas | 04-06-1995




informações urbanísticas e arquitetônicas relevantes

o maior projeto de restauração arquitetônica e estrutural para o local, foi encomendado ao escritório schimidt arquitetura e urbanismo em 1993 e previa a construção de um espaço cultural, de recreação e lazer com diversos atrativos: salão de uso múltiplo, bares, café, palcos de arena, pista de dança, áreas para feiras e exposições, largo dos poetas, fonte, esculturas, posto policial, sanitários e centro de apoio para a limpeza urbana.

em 1996, com outro tombamento pelo conselho deliberativo do patrimônio cultural do município de belo horizonte, tendo chegado a um grande processo de degradação e deterioração, apresentava pichação em seus arcos, guarda-corpos e revestimentos danificados, luminárias quebradas e escadaria usada como banheiro público. dentro desse contexto, e alinhada a diversas outras ações para o entorno, engendrou-se uma proposta de intervenção apoiada  na recuperação de sua estrutura, na restauração de seus elementos arquitetônicos . esta seria a 36ª reforma da história, sendo que já haviam ocorrido 60 restaurações de estrutura desde a sua inauguração.

jornal estado de minas | 27-09-1997



menos de 24 horas após a entrega das obras, em dia de 10 de abril de 1999, foi registrada a primeira pichação nos arcos do viaduto

jornal hoje em dia | 10-04-1999

é importante ressaltar aqui,  que já existia um uso desse espaço antes da reforma. pessoas que o vivenciavam e ao entorno de maneiras diversas, sejam nas barracas do programa abc no baixio do viaduto ou em uma oficina mecânica que funcionava na serraria souza pinto.




nesse caso, onde se percebe a não inclusão popular nos processos de decisão, falta de respeito às tradições do entorno social e aos usos reais dos espaços, surgem ações encaradas por alguns como gesto de vandalismo e depredação e por outros como uma intenção genuína de (re)apropriação do espaço urbano. o fato é que a partir dali as duas coisas passaram a acontecer de forma efetiva.

 viaduto de santa tereza - 2013


desde a sua inauguração, a iluminação do viaduto de santa tereza é um dos equipamentos que mais chamou a atenção, por utilizar 37 postes ornamentais de dois focos com vidros estriados claros e que imitavam lampiões. talvez justamente por isso, sejam os que mais sofrem com as interações. cúpulas e lâmpadas quebradas, mastros tortos e cobertos por adesivos de propaganda e pichações foram retratados na época e são percebidos ainda hoje. 




o uso real do espaço

dez anos depois, na comemoração dos seus oitenta anos em 2009, o jornal estado de minas trazia uma matéria intitulada "um oitentão abandonado", que pedia maior respeito dos usuários e maior atenção do poder público. 

 jornal estado de minas | 11-1-2009

aos principais usuários de então, pessoas em situação de rua e sem-teto, se somam cada vez mais grupos artísticos diversos, que ocupam os espaços e demarcam territórios com todos os desdobramentos, causas e efeitos. 



eventos diversos são constantemente promovidos no local, gerando ora a interação de públicos distintos, mas muitas vezes a segregação. um dos que gerou frutos foi o fechamento do viaduto dentro da virada cultural de belo horizonte de 2015.


fonte: http://malhastensionadas.com.br/folio/cenografia-da-virada-cultural-bh/

em 14 de janeiro de 2016, o jornal estado de minas anunciava "novos tempos para o viaduto santa tereza", informando o seu fechamento aos domingos para atividades culturais, de lazer e esportivas dentro do festival cidade viva, que intentava a retirada de carros, motos e ônibus, substituindo-os por equipamentos de recreação. 

fonte: divulgação PBH

informação divulgada pela fundação municipal de cultura (fmc) relata que a ideia surgiu durante a virada cultural, quando o viaduto foi um dos pontos de ocupação de shows que mobilizaram a cidade durante 24 horas. organizado por iniciativa privada, via lei federal de incentivo à cultura, e apoio da prefeitura de belo horizonte/fundação municipal de cultura (pbh/fmc), ofereceu atividades com parque de brinquedos infláveis, oficinas culturais e de construção de brinquedos, pintura artística, percussão, tai chi chuan e yoga, bares, tendas para áreas de sombra, mesas com ombrelone e cadeiras de praia. 



o espaço contava ainda com o suporte de foodtrucks e foodbikes, tendência do momento, em que a tradicional comida rápida de rua ganhava nova roupagem com ares de pratos e bebidas gourmet, mas também, com o intuito de oferecer uma gastronomia democrática, segundo a organização, havia as tradicionais barraquinhas. com uma programação cultural prometida "para todas as tribos e idades", juntava rock, jazz, black music e soul, bossa nova, mpb e samba de raiz, além de aulão de zumba e axé. o projeto aconteceu ao longo do ano de 2016, e mesmo com todo esse viés múltiplo, a sensação, durante visita da pesquisadora ao local é que nem todos foram convidados para a festa.

fonte: jornal o tempo 24-01-2016

em maio de 2016, o 13º festival internacional de teatro de belo horizonte foi encerrado com um evento chamado de 'último ato', no viaduto santa tereza. o local se transformou em praia e teve diversas atividades, variedade cultural e apresentações. a plateia era diversificada, com famílias empurrando carrinhos de bebê, jovens dançando, roqueiros, funkeiros e românticos.

fonte: jornal estado de minas – 29-05-2016 | foto: edésio ferreira/em/da press



ainda em julho de 2016, mais uma virada cultural de belo horizonte ocupou o viaduto.



foto: http://malhastensionadas.com.br/folio/cenografia-da-virada-cultural-bh/


em 2018, durante o carnaval de Belo horizonte, o viaduto foi um dos locais constantemente ocupados por muitos foliões.

bloco corte devassa no viaduto santa tereza - carnaval 2018
fonte: https://blogdoarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/15/bateu-saudade-3
0-fotos-do-carnaval-de-bh-2018-por-nereu-jr/ | foto: nereu jr/uol

fatos, personagens marcantes, curiosidades

em seu livro o desatino da rapaziada, werneck (2012) lembra que a altura dos arcos do viaduto de santa tereza aumenta na memória dos que foram moços na época e andaram por eles. segundo consta, para pedro nava, eles possuíam uma altura vertiginosa, enquanto fernando sabino estimava 50 metros na primeira edição de encontro marcado e reduziu para 30, na segunda. 

os 14 metros reais do ponto mais alto do arco ao nível do trilho, que muitos anos antes já haviam sido palco para as travessuras de carlos drummond de andrade e a sua turma, fazem parte do ritual de passagem de gerações literárias de minas e é uma das principais referências urbanas da cidade de belo horizonte. 

se os poetas andavam firmes pelas alturas, os bondes ...


queda de um bonde – anos 1930
 fonte: ouviaduto.tmblr.com/

fonte: http://www.otempo.com.br/hotsites/bh-120-anos



no viaduto!





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