percurso: google maps
história | presente
com projeto do engenheiro emílio
baumgart, a construção recebeu o nome de viaduto artur bernardes.
projeto viaduto de santa tereza
teve a pedra fundamental lançada em 05 de agosto de 1926 e foi custeado pela prefeitura municipal e pela central do brasil.
construção dos arcos do viaduto de santa tereza - 1928
fonte: arquivo público da cidade de belo horizonte
inaugurado em setembro de 1929,
faz a ligação do centro comercial da cidade à região leste, incluindo bairros
tradicionais como floresta e santa tereza, passando sobre o ribeirão arrudas e
os trilhos da central do brasil.
fonte: arquivo público da
cidade de belo horizonte
com 390 metros de extensão e 13
metros de largura, tem função relevante no sistema viário da capital. local
onde passava a linha do extinto bonde elétrico de belo horizonte apelidado de
"pão de forma" por ser fechado com um vagão de trem ferroviário.
1929
viaduto de santa tereza – anos 1930
fonte: http://www.pu3yka.com.br/homepage/brasil/minasgerais/belohorizonte/
belohorizonte2/belohorizonte-02.htm
viaduto de santa tereza emenda
com av. tocantins (hoje assis chateaubriand) –
década de 1950
fonte: ouviaduto.tmblr.com/
postal do viaduto de santa tereza
- 1958
postal do viaduto de santa tereza
visto da rua sapucaí - 1970
fonte: ouviaduto.tmblr.com/
em 1983, já em estado de deterioração, teve o
veto do tráfego de trânsito pesado. foi tombado em 1988 pelo instituto estadual
do patrimônio histórico e artístico de minas gerais – iepha-mg e tornou-se
parte integrante do conjunto arquitetônico da praça rui barbosa.
foto: br olhares
em 1995, em um estado de
conservação bastante precário, a denúncia de um símbolo maltratado da cidade.
jornal estado de minas |
04-06-1995
informações urbanísticas e
arquitetônicas relevantes
o maior projeto de restauração
arquitetônica e estrutural para o local, foi encomendado ao escritório schimidt
arquitetura e urbanismo em 1993 e previa a construção de um espaço cultural, de
recreação e lazer com diversos atrativos: salão de uso múltiplo, bares, café,
palcos de arena, pista de dança, áreas para feiras e exposições, largo dos
poetas, fonte, esculturas, posto policial, sanitários e centro de apoio para a
limpeza urbana.
em 1996, com outro tombamento
pelo conselho deliberativo do patrimônio cultural do município de belo
horizonte, tendo chegado a um grande processo de degradação e deterioração,
apresentava pichação em seus arcos, guarda-corpos e revestimentos danificados,
luminárias quebradas e escadaria usada como banheiro público. dentro desse
contexto, e alinhada a diversas outras ações para o entorno, engendrou-se uma
proposta de intervenção apoiada na
recuperação de sua estrutura, na restauração de seus elementos arquitetônicos .
esta seria a 36ª reforma da história, sendo que já haviam ocorrido 60
restaurações de estrutura desde a sua inauguração.
jornal estado de minas | 27-09-1997
menos de 24 horas após a entrega das obras, em
dia de 10 de abril de 1999, foi registrada a primeira pichação nos arcos do
viaduto
jornal hoje em dia | 10-04-1999
é importante ressaltar aqui, que já existia um uso desse espaço antes da
reforma. pessoas que o vivenciavam e ao entorno de maneiras diversas, sejam nas
barracas do programa abc no baixio do viaduto ou em uma oficina mecânica que
funcionava na serraria souza pinto.
nesse caso, onde se percebe a não
inclusão popular nos processos de decisão, falta de respeito às tradições do
entorno social e aos usos reais dos espaços, surgem ações encaradas por alguns
como gesto de vandalismo e depredação e por outros como uma intenção genuína de
(re)apropriação do espaço urbano. o fato é que a partir dali as duas coisas
passaram a acontecer de forma efetiva.
desde a sua inauguração, a
iluminação do viaduto de santa tereza é um dos equipamentos que mais chamou a
atenção, por utilizar 37 postes ornamentais de dois focos com vidros estriados
claros e que imitavam lampiões. talvez justamente por isso, sejam os que mais
sofrem com as interações. cúpulas e lâmpadas quebradas, mastros tortos e
cobertos por adesivos de propaganda e pichações foram retratados na época e são
percebidos ainda hoje.
o uso real do espaço
dez anos depois, na comemoração
dos seus oitenta anos em 2009, o jornal estado de minas trazia uma matéria
intitulada "um oitentão abandonado", que pedia maior respeito dos
usuários e maior atenção do poder público.
aos principais usuários de então,
pessoas em situação de rua e sem-teto, se somam cada vez mais grupos artísticos
diversos, que ocupam os espaços e demarcam territórios com todos os
desdobramentos, causas e efeitos.
eventos diversos são
constantemente promovidos no local, gerando ora a interação de públicos
distintos, mas muitas vezes a segregação. um dos que gerou frutos foi o fechamento
do viaduto dentro da virada cultural de belo horizonte de 2015.
fonte: http://malhastensionadas.com.br/folio/cenografia-da-virada-cultural-bh/
em 14 de janeiro de 2016, o
jornal estado de minas anunciava "novos tempos para o viaduto santa
tereza", informando o seu fechamento aos domingos para atividades
culturais, de lazer e esportivas dentro do festival cidade viva, que intentava
a retirada de carros, motos e ônibus, substituindo-os por equipamentos de
recreação.
fonte: divulgação PBH
informação divulgada pela
fundação municipal de cultura (fmc) relata que a ideia surgiu durante a virada
cultural, quando o viaduto foi um dos pontos de ocupação de shows que mobilizaram
a cidade durante 24 horas. organizado por iniciativa privada, via lei federal
de incentivo à cultura, e apoio da prefeitura de belo horizonte/fundação
municipal de cultura (pbh/fmc), ofereceu atividades com parque de brinquedos
infláveis, oficinas culturais e de construção de brinquedos, pintura artística,
percussão, tai chi chuan e yoga, bares, tendas para áreas de sombra, mesas com
ombrelone e cadeiras de praia.
o espaço contava ainda com o
suporte de foodtrucks e foodbikes, tendência do momento, em que a
tradicional comida rápida de rua ganhava nova roupagem com ares de pratos
e bebidas gourmet, mas também, com o intuito de oferecer uma gastronomia
democrática, segundo a organização, havia as tradicionais barraquinhas.
com uma programação cultural prometida "para todas as tribos e
idades", juntava rock, jazz, black music e soul, bossa nova, mpb
e samba de raiz, além de aulão de zumba e axé. o projeto aconteceu ao longo do
ano de 2016, e mesmo com todo esse viés múltiplo, a sensação, durante visita da
pesquisadora ao local é que nem todos foram convidados para a festa.
fonte: jornal o tempo 24-01-2016
em maio de 2016, o 13º festival
internacional de teatro de belo horizonte foi encerrado com um evento chamado
de 'último ato', no viaduto santa tereza. o local se transformou em praia e
teve diversas atividades, variedade cultural e apresentações. a plateia era
diversificada, com famílias empurrando carrinhos de bebê, jovens dançando,
roqueiros, funkeiros e românticos.
fonte: jornal estado de minas –
29-05-2016 | foto: edésio ferreira/em/da press
ainda em julho de 2016, mais uma
virada cultural de belo horizonte ocupou o viaduto.
foto: http://malhastensionadas.com.br/folio/cenografia-da-virada-cultural-bh/
em 2018, durante o carnaval de
Belo horizonte, o viaduto foi um dos locais constantemente ocupados por muitos
foliões.
bloco corte devassa no viaduto
santa tereza - carnaval 2018
fonte: http://www.otempo.com.br/hotsites/bh-120-anos
fonte: https://blogdoarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2018/02/15/bateu-saudade-3
0-fotos-do-carnaval-de-bh-2018-por-nereu-jr/
| foto: nereu jr/uol
fatos, personagens marcantes,
curiosidades
em seu livro o desatino da
rapaziada, werneck (2012) lembra que a altura dos arcos do viaduto de santa
tereza aumenta na memória dos que foram moços na época e andaram por eles.
segundo consta, para pedro nava, eles possuíam uma altura vertiginosa, enquanto
fernando sabino estimava 50 metros na primeira edição de encontro marcado e
reduziu para 30, na segunda.
os 14 metros reais do ponto mais
alto do arco ao nível do trilho, que muitos anos antes já haviam sido palco
para as travessuras de carlos drummond de andrade e a sua turma, fazem parte do
ritual de passagem de gerações literárias de minas e é uma das principais referências
urbanas da cidade de belo horizonte.
se os poetas andavam firmes pelas alturas, os bondes ...
queda de um bonde – anos 1930
fonte: ouviaduto.tmblr.com/







































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