percurso: google maps
história | presente
por muitos anos, em seus baixios,
o viaduto de santa tereza abrigou depósitos de equipamentos sucateados da
prefeitura de belo horizonte, construções aleatórias, estacionamento de
veículos e moradias informais de adolescentes.
debaixo do viaduto - 1948
debaixo do viaduto – anos 1990
em abril de 1999, após a sua
reinauguração, e fazendo parte do projeto "rua da bahia viva", com a
ideia de transformar a área de três mil metros quadrados debaixo do viaduto em
espaço cultural, foi construída uma estrutura batizada de arco das artes, e a
secretaria municipal de cultura abriu inscrições para apresentações no local.
viaduto santa tereza - projeto de
recuperação 1989 |bar após conclusão das obras - 1999
fonte: trevisan, 2012, p. 63.
desde então, palco de diversas
expressões artísticas promovidas por meios oficiais ou fruto de iniciativas
independentes, o espaço segue se afirmando a cada dia culturalmente mais
relevante em bh. prova disso são os diversos movimentos surgidos ou
desenvolvidos ali.
baixio do viaduto de santa tereza
- 2017
fonte: divulgação cmbh
informações urbanísticas e
arquitetônicas relevantes
dentro desse intrincado de movimentos que atuam
na rede complexa da cidade, outros fatos vão se fazendo relevantes para
demonstrar a abrangência política e social do viaduto no contexto de belo
horizonte. é assim que, no início de 2013, foi anunciada mais uma revitalização
do viaduto de santa tereza.
fonte: jornal metro | 20-03-2013
a obra incluiria a recuperação da
estrutura e o revestimento original, com pó de pedra. a promessa era
transformá-lo em um circuito de esportes radicais, dentro do projeto "corredor
cultural da praça da estação".
fonte: divulgação pbh
no entanto críticas foram dirigidas
na época ao então prefeito, no sentido de se pautar por medidas urbanísticas de
cunho 'higienista' e voltadas ao investimento empresarial. fato que poderia
acarretar a expulsão desses atores locais em função de atrair setores mais
abastados da população, ou seja, gentrificação.
como reação, uma grande
inquietação se instalou em meio aos movimentos culturais. artistas, ativistas,
militantes e pessoas interessadas nas dinâmicas da cidade começaram a se
articular e reunir, na busca de respostas e mais transparência por parte do
poder municipal.
fonte: ouviaduto
na sequência, em 08 de fevereiro
de 2014, esses diversos grupos, que tinham o espaço do viaduto como ponto
central de encontro, ocuparam o baixio do local e retiraram os tapumes que
impendiam a visualização das obras realizadas pela prefeitura, em uma ação
nomeada de "viaduto ocupado".
segundo dados da página oficial
do hoje denominado movimento viaduto livre, foram sete dias de ocupação onde, em
meio às ruínas, deu-se uma forte construção política e popular no baixo do
viaduto, desenvolvida ao longo dos anos.
em 12 de janeiro de 2016, o site
brasil de fato trazia a matéria "ano novo, obra velha: viaduto santa
tereza segue sem completar reformas em bh". nela afirmava que entrava ano
e a obra do viaduto santa tereza não saía.
fonte: http://transite.fafich.ufmg.br/viaduto-de-dois-gumes/
fonte: https://www.brasildefato.com.br/node/33868/
| foto: rafaella dotta
mais de um ano depois de duelos
de mc's, edições do quarteirão do soul e
outras diversas formas de apropriação, em 26 de janeiro de 2017, o site da bhaz,
outro integrante do movimento viaduto ocupado, dizia que, em ato divulgado por
meio do facebook, mais de mil pessoas já haviam confirmado presença para no
sábado, 28 de janeiro, inaugurar à força uma área de skate construída no local.
o uso real do espaço
em termos de uso, tem-se que as
diversas formas de manifestação cultural que passaram a ocorrer em seus
baixios, após o surgimento do duelo de mc's, em agosto de 2007 e reforçadas a
partir de 2010, pelo efeito irradiador das praias da estação, colocaram o
viaduto como um dos principais polos de discussão política de belo horizonte.
um ponto que chama a atenção é a
multiplicidade de grupos e a convivência entre eles. na maioria das vezes,
percebida de forma pacífica, mas também com o registro de momentos de embate e
atritos.
fonte: https://perfilbhz.wordpress.com/page/3/
na imagem a seguir, evento fechado
acontecendo na serraria souza pinto – minas tchê | feira de tradições gaúchas -
e quarteirão do soul – evento tradicional às sextas à noite no baixio do
viaduto.
de todos os locais, áreas e
equipamentos do baixo centro de belo horizonte, talvez seja também o mais
democrático no sentido da inclusão e do pertencimento.
fatos, personagens marcantes,
curiosidades
em 31 de outubro de 2007, o blog
oficial do duelo de mc's de belo horizonte anunciava que a edição do dia 02 de
novembro próximo aconteceria "tradicionalmente, na praça da estação,
centro de bh, a partir das 20h30." trazia, no entanto, uma ressalva:
"caso chova, o evento será transferido para debaixo do viaduto santa
tereza, que fica a menos de dois quarteirões da praça da estação, no sentido
parque municipal."
http://duelodemcs.blogspot.com.br/2007/10/
desse modo, por força das
intempéries, um dos pontos mais significativos de bh, passaria literalmente a
abrigar um dos movimentos mais representativos e legítimos do cenário cultural
recente da cidade.
fonte: duelo de mcs por leonardo cezario
duelo de mc's - 2017
fonte: soubh 2017
o duelo de mc's faz parte de um
coletivo que junto à família de rua tem como foco a promoção da cultura hip hop,
do skate e daqueles que respiram a rua cotidianamente. a cada edição se
enfrentam oito ou dezesseis mc’s - dois a dois, que com versos improvisados e
acompanhados por bases de rap desenvolvem a “batalha”, tendo 45 segundos para
“atacar” ou “responder”. o vencedor, ao final, é determinado pelo voto da
plateia.
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percurso: google maps
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