para julião (1996, p. 50), os
defensores da nova capital argumentavam que ela seria “um lugar moderno, higiênico
e elegante, capaz de consolidar um poder vigoroso e assegurar a unidade
política do estado”.
ao voltar o olhar para todas as suas histórias e
contextos, o que se percebe é uma cidade fadada, vaticinada, planejada para ser
muitas coisas que nem sempre abarcavam todos os seus sujeitos. ao se recortar
desse bojo o baixo centro de belo horizonte, o cenário se alterna entre
momentos de glória e de abandono, de resistência e esgotamento, de
revitalização e de expulsão. não nessa ordem e por vezes em ações entremeadas.
após investigar os processos
históricos, analisar as conformações físicas e observar as várias dinâmicas
locais, percebeu-se que estava aí a diferença entre o que era oferecido como
apropriável e o que de fato poderia ser apropriado. subvertendo aí o
entendimento de que se é público a todos deveria pertencer.
qualquer estratégia que se
desenvolva com o objetivo de amplificar a vitalidade dos equipamentos urbanos e
públicos deve necessariamente passar pela aproximação humana. de todas as
humanidades. quando se fala, por exemplo, em design universal de um objeto ou
espaço, trata-se de pensar em algo que possa ser usado por todas as pessoas sem
exceção em termos de medidas, ergonomia, etc.
pensar a universalidade de um
espaço imbuído de um sentido não excludente seria aqui aproximar o cidadão da
participação, com a urgência de políticas públicas efetivas na medida em que
sejam construídas com os sujeitos e não para eles. qualquer ação que não
caminhe nesse sentido estimula uma fragmentação tal que inibe o espaço público
do encontro ou da diversidade.
no baixo centro de belo horizonte, algumas
conquistas, fruto mais de movimentos de resistência populares do que das
práticas de desenvolvimento local ou gestão social promovidas pelos governos,
puderam ser observadas.
no entanto, ainda parece haver um trajeto longo e
tortuoso rumo a uma política pública verdadeiramente inclusiva e que a todos
dará direito à fala.
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