segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

chegada-praça rui barbosa | praça da estação









para julião (1996, p. 50), os defensores da nova capital argumentavam que ela seria “um lugar moderno, higiênico e elegante, capaz de consolidar um poder vigoroso e assegurar a unidade política do estado”. 

ao voltar o olhar para todas as suas histórias e contextos, o que se percebe é uma cidade fadada, vaticinada, planejada para ser muitas coisas que nem sempre abarcavam todos os seus sujeitos. ao se recortar desse bojo o baixo centro de belo horizonte, o cenário se alterna entre momentos de glória e de abandono, de resistência e esgotamento, de revitalização e de expulsão. não nessa ordem e por vezes em ações entremeadas.

após investigar os processos históricos, analisar as conformações físicas e observar as várias dinâmicas locais, percebeu-se que estava aí a diferença entre o que era oferecido como apropriável e o que de fato poderia ser apropriado. subvertendo aí o entendimento de que se é público a todos deveria pertencer.

qualquer estratégia que se desenvolva com o objetivo de amplificar a vitalidade dos equipamentos urbanos e públicos deve necessariamente passar pela aproximação humana. de todas as humanidades. quando se fala, por exemplo, em design universal de um objeto ou espaço, trata-se de pensar em algo que possa ser usado por todas as pessoas sem exceção em termos de medidas, ergonomia, etc. 

pensar a universalidade de um espaço imbuído de um sentido não excludente seria aqui aproximar o cidadão da participação, com a urgência de políticas públicas efetivas na medida em que sejam construídas com os sujeitos e não para eles. qualquer ação que não caminhe nesse sentido estimula uma fragmentação tal que inibe o espaço público do encontro ou da diversidade. 

no baixo centro de belo horizonte, algumas conquistas, fruto mais de movimentos de resistência populares do que das práticas de desenvolvimento local ou gestão social promovidas pelos governos, puderam ser observadas. 

no entanto, ainda parece haver um trajeto longo e tortuoso rumo a uma política pública verdadeiramente inclusiva e que a todos dará direito à fala.


:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Nenhum comentário:

Postar um comentário